azar o seu, querida.*

[por uma vida menos ordinária]

Archive for the ‘textos’ Category

“carta/editorial/notícias”

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Vou te contar que, há um mês e quatro dias eu sofri um acidente doméstico enquanto tentava cozinhar; a chama do fogão se sentiu irresistivelmente atraída pela bata soltinha de falso algodão [suspeita-se que na verdade era de puro poliéster] que eu usava na ocasião. A peça incendiou imediatamente [não sobrou um mísero pedaço de pano pra contar a história], e no reflexo instantâneo de tirar a roupa do corpo, sofri queimaduras de segundo grau nas mãos, na lateral direita do corpo e no braço direito. Felizmente o meu anjo da guarda é foda e todos os meus guias estavam por perto nesse dia, de modo que não passou disso. Disso, de muita dor, de uma semana sem basicamente poder sair de casa ou fazer quase nada com as mãos e mais outra sofrendo com troca de curativos e algumas impossibilidades. Passou. Com ajuda, apoio, suporte e visita dos amigos queridos. Passou. E nem vão restar cicatrizes, embora já por duas vezes eu tenha procurado a tal bata soltinha no armário pra vestir.

Em parte por esse acontecimento o blog ficou parado mais de um mês. Em parte pelo turbilhão de coisas que continuaram acontecendo depois do acidente; coisas que podem se resumir na expressão “muito trabalho” [thank god, já que não é nada barato ficar seriamente doente]. E em parte porque eu estava preparando uma outra coisa.

Esse texto é pra contar essa outra coisa.

Afinal de contas eu não me aquieto, e com a ajuda e incentivo do querido de sempre, Ian Marquinhos José Enloucrescendo Câmara, o Azar o Seu Querida mudou mais uma vez de  endereço e agora é pontocom.

http://azaroseuquerida.com

Apareça pra uma visita.

Juliana Alves

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Written by juliana alves

março 29, 2008 at 12:49 pm

pictures of you.

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“Fui eu que roubei todas as tuas fotografias. Numa sexta-feira dessas em que estavas no botequim. Quase todas. As polaroids, deixei onde estavam. Essas eu não quis. As outras todas levei comigo. E estudo agora o pedido de resgate, enquanto analiso todos os teus olhos e todas as tuas bocas e todas as tuas expressões. Todos esses dias. Uma vez te pedi. Tu disse: todos. Posso provar. Posso cobrar. Eu te proponho.”

pictures of you.

ouvindo: pictures of you/the cure

Written by juliana alves

janeiro 20, 2008 at 11:58 pm

Publicado em cartas, música, textos, trechos, vídeos

2007/2008

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Olha, eu costumava ter uma memória excelente. Irritante de tão boa. Riqueza de detalhes e tudo o mais. Mas a verdade é que agora as coisas mudaram um pouco. Às vezes me perco na ordem cronológica dos acontecimentos. Não me lembro mais das cores das roupas. De datas ou palavras exatas, em alguns casos. Mas é claro que eu me lembro perfeitamente daquela outra noite de réveillon. Dançando no meio da rua, de pés descalços e banda de música. Me lembro perfeitamente, viu? Mas não é a mesma coisa. Naquela teve banda. Nessa teve mar. Na noite de réveillon de agora, fotos de família, brinde com champagne e algumas das pessoas mais queridas. Não tenho porque escolher, entre essa ou aquela, a melhor. Até porque, das outras já não me lembro tão bem. Como expliquei. As coisas mudaram. De um ano pro outro. Inclusive quereres e importâncias. E não é mesmo tarde para retrospectivas? E é claro que eu tenho uma lista de planos e resoluções. Mas vamos mudar de assunto. As coisas cada vez mais claras. E se o ano pode começar no dia quatro de janeiro, eu posso desejar que ele seja feliz em qualquer dia. Apesar das faltas nos cinco primeiros minutos do primeiro tempo. Sem lista de melhores ou piores do que passou. So, let’s have bizarre celebrations. Let’s pretend we’re bunny rabbits. Permita o que é bom pra você. E que os bons tempos comecem.

Written by juliana alves

janeiro 20, 2008 at 5:29 pm

“when you have insomnia, you’re never really asleep… and you’re never really awake.”

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E depois da insônia de vários dias, tudo que eu queria essa noite era dormir com o rosto apoiado na tua nuca.

*conclusão baseada [entre outras coisas] em texto de Jader Pires, no blog A Bossa Nostra.
A seguir continuaremos com a nossa programação normal.

Written by juliana alves

dezembro 14, 2007 at 9:04 pm

o roubo.

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“A coisa toda deve ter durado uns dois minutos. Menos até. Me imaginei mudando de idéia sobre tudo aquilo dos últimos tempos. Passou por mim o pensamento: você e eu num apartamento amplo, janelas grandes, piso de madeira, poucos móveis, pôsteres e letras nas paredes, uma cama grande pra gente foder todo dia e música, muita música, em alguma cidade com praia. Durou mais ou menos uns dois dias. Ou três. E aí o roxo se esmaeceu em amarelo. Lembro de você, enquanto penduro roupas no varal.”

Written by juliana alves

dezembro 2, 2007 at 7:03 pm

Publicado em música, textos, trechos, vídeos

top 5 melhores post’s lidos em blogs durante os meus seis dias de férias, até agora, independente da data em que foram postados.

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[ou “o Doni viu no 30&Alguns e eu vi no Doni]

1. Desencontros do amor no Grand Canyon>>por Alexandre Inagaki, no Pensar Enlouquece: sou fã do querido Inagaki [bem como de seu mantra – repita comigo “a vida é boa e cheia de possibilidades”] e é fato que poucas pessoas fazem observações tão sensíveis e pertinentes sobre amores, encontros e desencontros. Junta-se a isso a minha declarada paixão pelo Coyote e eis a explicação para o meu imenso afeto por esse post em especial. Se é que de explicação precisava.

2. Tudo que é sólido…>>por Gabriela Franco, no Fogo nas Entranhas: normalmente eu não gosto de conselhos. Nem de dar [faço o possível pra só abrir a boca quando me pedem] nem de receber [a não ser que eu os tenha pedido]. Mas toda vez que quero um conselho Gabi está na lista das pessoas pra quem eu penso pedir, por se tratar de uma das pessoas mais bem resolvidas e de maior bom senso que eu conheço. O post em questão pode até ser baseado numa experiência particular, mas rende uma boa reflexão e bons questionamentos pra qualquer um que esteja disposto a refletir e questionar a si próprio, sobre como as coisas mudam e sobre como isso não é necessariamente ruim. E se é a pergunta que motiva, eu recomendo.

3. Numa Sexta Como Essa>>por Fernando Káfila, no Terehell: um conto breve sobre uma Rita, do meu amigo Fernando que sempre arrasa quando resolve escrever contos. Adoro esse nome, Rita.

4. Rita… tonitruante como Júpiter>>por Alexandre Carvalho, no Na Minha Rolleiflex: outro conto breve sobre uma Rita. Tão bom quanto o anterior.

5. Simulacro e a conquista do mundo>>por Pedro Jansen, no Calo na Orelha: demorou mas saiu a resenha [seguida de um trecho de uma entrevista via MSN] anteriormente prometida aqui, sobre o disco novo de China. A julgar pela qualidade do texto; perdoada a demora.

Written by juliana alves

novembro 19, 2007 at 4:30 pm

roadhouse blues.

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Sabe qual foi a melhor parte dos últimos dias? Ouvir uma banda de blues que eu não sei o nome, num bar que eu não sei o nome. Eu sempre me lembro do meu avô em situações como essa, onde a música é a melhor parte, e é feita com vontade, e fico imaginando como deveria ser quando ele ainda podia tocar. Eu poderia tranquilamente viver disso; ouvir músicos e bandas que eu não sei o nome em lugares que eu não sei nome, pelo prazer de ouvir o prazer de tocar.
Sabe qual a minha mais nova palavra preferida? Afeto. A mim encanta a intimidade respeitosa que mora nas entrelinhas e que dá as caras no olhar que procura, seguido da pergunta interessada feita em voz baixa; está tudo bem? Sim. Acho que isso tem a ver com afeto. E afeto não só é uma palavra bonita, como me parece uma palavra tranqüila. O que é ainda melhor. Eu também adoro essa palavra: tranquila.
Sabe o que eu descobri noite dessas? Que ouvir “Dindi” e “Joana Francesa” algumas vezes antes de dormir espanta pesadelos. Experimenta pra você ver.
Sabe qual é a minha nova música preferida da semana? Aquela do The Moldy Peaches com os versinhos sobre desenhos animados.
Eu gosto de anos que passam rápido.


“the future is uncertain/and the end is always near”

Written by juliana alves

novembro 19, 2007 at 3:20 pm