azar o seu, querida.*

[por uma vida menos ordinária]

Archive for setembro 2007

top cinco músicas que eu vou ouvir pra sempre até arrumar um tempo pra sentar e bater papo. ou até ficar boa da gripe. ou até o frio passar. o que acontecer primeiro.

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1. guided by voices: awfull bliss
2. the national: watching you well
3. feist: lonely, lonely
4. fernanda fez: the lizard and the frog
5. die cowboy die: nothing but parts

Written by juliana alves

setembro 30, 2007 at 9:15 pm

Publicado em download, música

china e sua canção que não morre.

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A idéia era escrever um texto embasado e informativo [ui], com todas as referencias possíveis. Contar sobre a primeira vez que ouvi China, por indicação de um amigo; a primeira vez que soube o que era o Sheik Tosado. A primeira vez que vi China num palco, cantando as músicas do rei e a primeira vez que falei com China, pra dizer que “Josh mandou um abraço”. A idéia era comentar o disco novo de China, e essa coisa que tem no Recife, que de vez em quando explode em nomes como Chico Science e sua Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e Mombojó. Mas estou com uma febre de trinta e oito graus e meio e não posso mais esperar pra mostrar esse vídeo tão “bunitinhun”, pra minha música preferida do Simulacro. E daí que faz 10 graus na paulicéia? É primavera, minha gente.

_uptdate: meu querido Pedro não está com trinta e oito e meio de febre. Logo, será dele a resenha para o Simulacro. No Calo na Orelha, a qualquer momento.

Written by juliana alves

setembro 25, 2007 at 10:33 pm

Publicado em música, vídeos

les chansons d’amour.

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Pumpkin diz (21:00): presente do dia.

“…porque nos resta a música, o cinema, e um ao outro.”

Written by juliana alves

setembro 24, 2007 at 9:17 pm

Publicado em vídeos

até o dia em que o cão morreu.

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Até o dia em que o cão morreu, eu nunca me lembrava dos meus sonhos. Sonhava, é claro, mas as imagens do sonho não permaneciam na memória além daqueles poucos segundos após o despertar. Sempre duvidei de gente que me narrava sonhos de uma noite anterior, pra mim eram mentirosos. Desde aquele dia, contudo, tenho um sonho recorrente. Há pequenas variações, mas é o seguinte: estou deitado no colchão de casal do meu quarto, pelado, lendo uma tralha qualquer. Fecho o livro e me estico na cama, as pernas debaixo do cobertor, escutando apenas o zunido dos mosquitos. Uma pessoa deveria chegar a qualquer momento, tenho essa sensação, mas ninguém chega. A vista da janela é exatamente a mesma daquele apartamento – a água cinzenta do Guaíba, a chaminé da Usina, as ilhas e os prédios – , porém as cores são estranhas, muitos verdes e violetas, com raios piscando no horizonte. Fico deitado no colchão com as pernas esticadas e abertas em ângulo confortável, as mãos por trás da cabeça, deixando o pescoço inclinado o suficiente pra enxergar o céu. Sinto um tremor leve nos órgãos internos, o que imagino serem gases. As contrações ficam cada vez mais intensas, os órgãos se movem, o estomago quer trocar de lugar com o pâncreas. Minha pele esfria, e começo a transpirar um suor nojento. Entendo que algo fora do comum está acontecendo. Meu sangue dispara pelas veias, os órgãos enfurecidos se espremem contra o esqueleto. Uma protuberância começa a crescer perto das minhas costelas, do lado esquerdo, causando uma dor intensa, que irradia por todo o tórax e o abdômen. Grito por socorro, mas estou certo de que ninguém escuta. Tenho plena consciência de que estou e permanecerei sozinho. Enquanto o calombo cresce nas minhas costelas, como se o corpo tentasse expulsar um feto maligno, penso que é uma péssima idéia morar num apartamento tão alto, sem telefone, sem conhecer vizinhos. Tento gritar o nome de amigos, minha família, mas os gritos já não saem, e me dou conta de que faz tempo demais que não falo com nenhum deles, ou simplesmente não tenho intimidade o suficiente, não me sinto no direito de pedir ajuda a ninguém que me lembro de conhecer. A dor aumenta, tenho receio de desmaiar, ou morrer, e aquele calombo vai crescendo até se tornar uma extensão do meu corpo, a pele esticada, a carne se mexendo por dentro. A saliência assume formas complexas, e logo identifico nela um braço rudimentar, mãos, pernas atrofiadas que se desenvolvem com uma rapidez impossível. Surge também uma cabeça, um toco que se agita e apresenta gradualmente a proporções de um crânio humano. Não posso controlar meus movimentos, e quanto mais tento resistir ao processo, mais sofro. Os membros e a cabeça adquirem um aspecto adulto, e pequenos pelos escuros brotam daquela outra pele que surgiu da minha. Então, o desespero vai dando lugar a uma espécie de resignação. Entendo que seja lá o que for que esteja acontecendo, não está sob meu controle. Desejo apenas que acabe logo, que chegue às últimas conseqüências. A própria dor já não me incomoda, entro num transe que não é de sofrimento, e sim um torpor que fica mais agradável a cada segundo. Tremo, sinto as veias inchadas, e um formigamento agradável dá uma sensação de sono. Do meu lado, no colchão, a massa de carne que sai de mim se assemelha muito a um ser humano, o cabelo crescendo, dedos se dobrando, testando as articulações, um outro corpo que cresce a partir do meu em poucos minutos, os dois ainda unidos por um istmo de carne, que vai diminuindo de espessura até se romper num estalo. Finalmente, há dois indivíduos deitados sobre o colchão, desacordados e idênticos um ao outro. O mais estranho é que, a essa altura, já observo isso de fora. Dois sujeitos idênticos a mim, e nenhum dos dois sou eu. [Daniel Galera]

Written by juliana alves

setembro 24, 2007 at 8:31 pm

Publicado em livros, textos, trechos

ceremony.

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Volto em dois minutos.

Written by juliana alves

setembro 23, 2007 at 10:35 pm

o cinema nacional e meu novo objeto de desejo.

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A revista Bravo desse mês traz como matéria principal o filme Cidade dos Homens e disserta sobre como seu precursor, Cidade de Deus, mudou o cinema brasileiro. Bom, eu ainda não vi Cidade dos Homens. Nem quando era uma série. Mas eu me lembro bem do impacto que Cidade de Deus teve sobre mim. Me lembro bem de ter visto o filme, sozinha, numa das salas [vazias] do Teresina Shopping. Me lembro bem do desespero de não ter com quem comentar aquele absurdo, aquela feladaputice, no momento em que ela acontecia, diante dos meus olhos. Voltando pra casa ainda senti ânsias lembrando de certas cenas. Me lembro bem das cores, da edição rápida, do roteiro “nervoso”, e de toda a comoção que foi um tempo depois, em torno do filme. Me lembro da entrevista de Katia Lund, co-diretora do projeto, nas páginas vermelhas da TPM. E não é preciso dizer que houve sim coisas muito boas antes disso, já que obviamente não há como se esquecer de Central do Brasil, pra citar apenas o top dos tops. Mas também me parece desnecessário dizer que não há como negar, clichês à parte, que Cidade de Deus foi sim um marco no cinema nacional.

cidade de deus.

Quando eu era criança falar em cinema nacional era falar em putaria. Nenhum adulto conhecido comentava sobre como Deus e o Diabo na Terra do Sol ou Terra em Transe eram importantes, ou achava que Pixote seria um clássico, ou dava a menor importância pro Beijo da Mulher Aranha; e tirando os filmes dos Trapalhões e da Xuxa [com exeção de Amor Estranho Amor, naturalmente] éramos todas proibidas de ver as películas nacionais exibidas pela Bandeirantes, num dia da semana que eu não me lembro qual, depois da dez.

terra em transe.

Mais um pouco e em 1990 as coisas pioraram; o fim da Embrafilme foi o começo de um período nebuloso para o cinema brasileiro, que só deu os primeiros passos de volta à luz em 1995, com uma lei de incentivo cultural criada pelo Ministério da Cultura. São dessa época filmes como Carlota Joaquina, A Ostra e o Vento, Guerra de Canudos e, os meus preferidos de então, O Que É Isso Companheiro e Terra Estrangeira. Em 1999 veio Central do Brasil e uma indicação ao Oscar, que revitalizou o cinema nacional. Cidade de Deus, de 2002, foi o grande sucesso dessa fase, chamada de “a retomada”.

terra estrangeira.

Na minha opinião, embora eu concorde com Ana Bean em alguns pontos no que diz respeito aos roteiros, o cinema nacional tem ido muito bem ultimamente. Não vi os comentados Não Por Acaso e O Cheiro Do Ralo [juro, não vi O Cheiro do Ralo], mas vou estender o meu “ultimamente” e dizer pela milésima vez que Lavoura Arcaica é uma das maiores feladaputices nacionais que eu já vi na vida. Além disso, dos nacionais que vi mais recentemente, O Céu de Suely também fez meu coração bater mais forte, com o seu realismo; Houve Uma Vez Dois Verões é melhor do que muita comédia romântica adolescente americana por aí; Cão Sem Dono é o meu segundo nacional preferido ever, além de ter uma das músicas mais bonitas do ano na trilha [meus agradecimentos especiais à própria Fernanda Fez, que me enviou o arquivo em mp3, acabando com a minha busca desesperada] e O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias é tão bonito visualmente, tão tocante, tão difícil, tão triste e me fez sofrer tanto e tanto de saudade que eu acho que dispensa maiores comentários.

o ano em que meus pais sairam de férias.

Mas essa conversa toda é, enfim, um pretexto pra eu expressar o meu mais profundo interesse pelo novo filme de Leandra Leal, Nome Próprio, dirigido por Murilo Salles [o mesmo de Como Nascem os Anjos] e baseado em livro de Clarah Averbuck. O filme ainda não tem trailer, mas tem um blog e o lançamento está marcado pro dia 21 de Setembro, na abertura da Premiére Brasil do Festival de Cinema do Rio. Tão aguardado quanto Cão Sem Dono. Esperando gostar tanto quanto.

nome próprio.

Written by juliana alves

setembro 9, 2007 at 4:23 pm

gaiola das loucas.

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Algumas conversas consideradas tipicamente femininas não me empolgam muito. Mas de vez em quando eu deixo o meu equipamento anti-cor-de-rosa em casa e me junto a uma turba de mulheres para falar [bem] de roupas e cosméticos e, claro, [mal] dos homens. Outro dia, inclusive, tentei convencer um bando a encarnar “a noiva” e sair por aí chacinando o mundo até fazer o coração de seus respectivos Bill’s parar com um movimento rápido das mãos, ensinado por um Pai Mei da vida. Mas então começaram a me olhar com cara de “hein” e eu parei. Aí agora eu trabalho nesse escritório de arquitetura mais louco de todos os tempos, e junto a mim outras seis arquitetas passam o dia comendo palhacitos, ouvindo músicas as mais diversas [e por vezes as mais toscas] e rindo descontroladamente de alguma história qualquer que uma das outras contou, enquanto desenham, projetam e gerenciam obras [sabe como é, tudo ao mesmo tempo agora]. Basicamente o escritório das sete mulheres. E aí que inspirado em algumas das conversas mais inacreditáveis de todos os tempos e de todos os tipos, eis que surge o “top 5 tomei um pé na bunda, enlouqueci, parti pra violência e escrevi uma canção”. Divirtam-se.

1. You Oughta Know Video: Alanis Morissette

Todo mundo sabe que foi Alanis quem começou essa coisa toda, ou pelo menos reanimou essa coisa toda, mais ou menos na metade da década de 90, antes de virar deus, ir pra índia, cortar o cabelo e ficar chata. Did you forget about me Mr. Duplicity? Clássico da ironia feminina.

2. I’ll Kill Her: Soko

Nesse sentido, Soko, essa moça francesa de nome estranho, é a melhor pupila que Alanis já teve. Vi o vídeo há uns meses atrás nesse blog, e achei a música quase tão boa quanto You Oughta Know. Quem já não sentiu essa vontade de matar, não é mesmo minha gente? [E esse sotaque dela não é mesmo uma graça?]

3. Don’t Bother: Shakira

Como bem diz a minha “rimã” querida, Mariana Adão, Shakira é uma joselito, totalmente sem filtro a pobrezinha. Por isso mesmo é a cantora pop mais divertida da sua geração. Nesse clip Shakira é trocada por outra, dança igual aquela menina d’O Chamado saindo da televisão, faz vudu usando um carro e ainda promete mais [“I won’t die of deception/… And it’s not my last life at all”], a desgraçada.

4. Smile: Lily Allen

Quando Lily Allen apareceu parecia ser uma boa promessa. Seu disco de estréia “Alright, Still” foi divulgado pelos quatro cantos, e seu visual comentado por aqueles que prestam atenção nos visuais. Bom, a moça na minha opinião continua na promessa [apesar de Littlest Things ser uma das músicas que de vez em quando param no meu repeat], mas não dá pra negar que seu hit de estréia tem um dos vídeos mais divertidos, com ótimas caras da própria, e idéias melhores ainda pros que são adeptos da vingancinha.

5. Soraya Queimada:Zeu Britto

E por fim, se você acha que essa loucura toda é coisa exclusiva de mulher, já deu pra ver que se enganou né? Pois é.

Written by juliana alves

setembro 7, 2007 at 7:57 pm