azar o seu, querida.*

[por uma vida menos ordinária]

Archive for maio 2007

sala 8.

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28 weeks later.

A primeira vez que ouvi falar a respeito de 28 Days Later foi no cinema. Um trailer, antes de um filme que eu não me lembro mais qual, me deixou de olhos esbugalhados, coração na boca, contando os dias, como era comum, na esperança de que, por ser um filme de terror, estreasse numa das poucas salas de Teresina. Estreou. E o detalhe que mais me impressionou na primeira das algumas vezes que vi o dito, mais até que as tomadas de Londres completamente vazia, mais até que a trilha sonora [que sozinha já me causa arrepios], e mais até que a bela feiúra de Cillian Murphy, foi a questão dos macacos, do vírus que eles carregavam e da relação direta entre esse vírus e as cenas de violência que eles eram obrigados a ver, na cena inicial do filme. Naquele dia estava declarado o meu preferido de Danny Boyle, e ouvi AM 180 por um mês inteiro, sem parar.

Quando Luciana me contou sobre a seqüência, 28 Weeks Later, eu não fiquei muito feliz. Tenho traumas profundos com seqüências desnecessárias de filmes que eu adoro. E não estou falando de projetos como a trilogia do Senhor dos Anéis e a saga de Harry Potter, ou Star Wars e De Volta Para o Futuro, que foram concebidos para se desenrolarem em seqüências, mas de coisas como Hannibal, por exemplo. De modo que só fiquei mais tranqüila quando descobri que se Danny Boyle não era mais o diretor, era agora o produtor, e que John Murphy continuava responsável pela música, peça de fundamental importância na minha preferência por 28 Days Later. E, depois de ver o trailer, me pus novamente a contar os dias; desta vez para a cabine que o Bloghunters ofereceria para alguns, na sede da Fox em São Paulo.

Assim como no primeiro filme, em 28 Weeks Later a música é fundamental e, junto com a fotografia, tão perfeita quanto, dá o tom e marca o clima da história. As cenas de devastação e abandono continuam ótimas, me remetendo em alguns momentos para o cenário que eu imagino para algumas passagens de Ensaio Sobre A Cegueira. O roteiro é bom, embora tenha suas falhas [meus companheiros de sessão reclamaram especialmente que, depois da eletrizante primeira cena, o filme vai perdendo a força no seu desenrolar] e os atores, se não brilham, dão conta do recado e não comprometem o resultado, afinal de contas é apenas um filme de zumbi…Entretanto, eu, que sou dramática, apaixonada, teatral e impressionável, defendo que dessa vez a seqüência é uma feladaputice [de boca bem cheia] tão grande quanto o original, e vou além; 28 Weeks Later, na minha opinião, pode ser considerado um filme extremamente emblemático. Porque se da primeira vez Danny Boyle deu apenas a deixa, usando a primeira cena, os macacos e a violência, somente pra explicar o começo de tudo e mantendo o foco depois na questão da “sobrevivência”, e do que o ser humano é capaz de fazer por ela [fazendo um link muito sutil com o “dilema” da primeira cena do segundo filme], desta vez o recado me parece bem claro: a violência está aí, cuspindo “sangue” na nossa cara, todos os dias. Um vírus poderoso e voraz, que nasce da raiva “animalesca” inerente a todo ser humano [just another monkeys?], que se espalha muito facilmente, destrói tudo [pessoas, famílias, dignidade, cidades] e não respeita nada [fronteiras inclusas]. Aqui os heróis que chegam para salvar [coincidentemente americanos?] também não sabem muito bem o que fazer, em quem atirar, perdem o rumo, o controle, e fica difícil até mesmo decidir se um agente transmissor que pode carregar também a cura representa a luz no fim do túnel, a certeza triste de que não há esperança ou apenas a deixa para, quem sabe, um dia, uma trilogia.

Sexta-feira, [teoricamente] em todos os cinemas.

28 weeks later

Written by juliana alves

maio 30, 2007 at 1:29 am

Publicado em cinema

she’s lost control.

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Senhoras e senhores. Eu pensei em deixar o momento de histeria passar. Mas não vai ser possível. Por que eu estava esperando pelo filme sobre a vida de Ian Curtis, baseado no livro de sua viúva, muito tranquilamente. Mesmo. De verdade. E ontem quando li a notícia sobre a estréia do filme em Cannes até deixei o trailler pra mais tarde, tamanha a tranqüilidade minha gente. Mas eis que hoje eu recebo um email com o singelo título “tu já viu isso?”. Não tinha visto né? Resolvi ver. E aí fudeu tudo. Estou em tempo de ter uma piloura. Alguém por favor me dê um tapa na cara.

Written by juliana alves

maio 22, 2007 at 12:36 pm

Publicado em cinema, música

e-bow: the letter

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Dear,
São 4 am e há dias eu não durmo em horários “normais”.
Na quarta fui ver um amigo tocar no Sarajevo, na quinta fui ver o China no Studio SP, na sexta o Ecos Falsos no Outs, no sábado fui dar um abraço de feliz aniversário no Espaço Impróprio e agora estou aqui, ouvindo esta canção, única e exclusivamente porque vi hoje em algum lugar a frase “will you ever welcome me?” e me lembrei do quanto gosto desse disco; escrevendo pra você, num postal de exposição, porque fui capaz de fazer as conexões mais absurdas entre as últimas 120 horas, e na minha insônia lembrei que você prefere dormir de dia. Porque já até te contei que eu quero te levar em todos esses lugares e em mais alguns, mas ainda é secreta essa sensação, como uma ilusão, de que nos divertiríamos muito em todos eles, e que talvez você veria as mesmas coisas que eu vejo, como num filme. A festa nunca termina. E aí hoje à tarde fui ver a exposição do Bob Gruen e de novo lembrei de você. Porque a verdade é que não te conheço o suficiente pra dizer, mas eu gostei de acreditar que você gostaria daquelas fotos tanto quanto eu, e não só delas, mas do que está por trás delas, e talvez até pelos mesmos motivos. Gostei de pensar que toda vez que eu fizesse aquela cara de “eu queria ter fotografado isso” veria você com aquele sorriso de lado, que não mostra os dentes; o mesmo de quando eu contei da minha paixão por casas ou do meu ano e meio de capoeira. E isso não é sobre amor ou romance. Muito mais sobre a curiosidade que tenho a respeito do teu modo de ver as coisas. O teu jeito observador, de fala mansa. Muito mais sobre essa sensação insistente de que deve haver um jeito de viver a vida do jeito que eu gostaria. Olhando daqui deve se parecer um pouco com levar a vida do jeito que você gostaria. Tomara que um dia a gente possa.
Com carinho,

mick, john e yoko por bob gruen.

Exposição “ROCKERS“ @ SALÃO CULTURAL DA FAAP – Prédio 1 // Rua Alagoas, 903 – Higienópolis // de 3ª a 6ª feira, das 10h00 às 20h00 // sábados, domingos e feriados das 10h às 17h00 // info: (11) 3662-7198 // visitas educativas: (11) 3662-7200 // ENTRADA GRATUITA.

[A exposição fica até o dia 01 de junho; a dica foi da querida Bean]

Written by juliana alves

maio 21, 2007 at 5:17 pm

le bon numéro.

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No ano em que vi As Bicicletas de Belleville, deixei bem claro que se tratava da animação mais bonita que eu já tinha visto na vida, o que fez com que ele tentasse a todo custo me convencer a ver os filmes de Hayao Miyazaki, pra mudar de idéia. Bom, anos se passaram e eu ainda não vi os ditos filmes. Entretanto ontem no blog da Mirela descobri um curta que, guardada as devidas proporções, considerei quase-quase tão bonito quanto As Bicicletas. E não estou falando do tema; dificuldades de “encontros” à parte [não vamos entrar no mérito da questão não é mesmo minha gente] o que eu quero mostrar mesmo é esse desenho coiso fofo de deus. Coincidentemente o dito curta também é francês, não tem legenda, mas, acredite, não vai precisar muito.

Written by juliana alves

maio 21, 2007 at 4:48 pm

Publicado em outras cositas mais

mini diário de uma viagem curta.

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Sexta-feira. São Paulo. Avião. Brasília. Avião. Teresina. Mãe. Amigos. Abraços. Avô. Tião. Pappardelle. Mais abraços. Tios e tias. Casa nova. Avô. Mãe. Tião. Tia. Primo. Amigas. Abraços. M2 Publicidade. Teatro JP2. Médelei. Amigos. Conhecidos. Abraços não fazem mal a ninguém. Canto bom. Café Faubert. Amigos. Conhecidos. Tudo Mais. Abraça o meu abraço. Passeio. Quiosque. Sábado. Recepção. Tio, tia, irmãos, comadre. Abraços, abraços, abraços.Casa número 2. Bolo, balão. Casa. Avô. Mãe. Tião. Aniversário. Bolo, guaraná. Tios, tias, primos, nenhuma prima. Mais abraços. Família, família, nunca perde essa mania. Tambo Mambo. Amigos, conhecidos, tangirosca e psicológico. Abraça, abraça, abraça. Domingo. Mamãe, mãe, mãezinha, mainha, manhê. Abraço, abraço, abraço. Sorvete. Riverside. Pão de Açucar. Boys Don’t Cry. Amigos. Conhecidos. O melhor abraço do mundo. Pão de Açucar. Quiosques. Amigos. Segunda. Nesa. Centro. Compras. Casa número 2. Almoço especial. Casa. Avô. Mãe. Tião. Casa do coração. Todas as boas lembranças. Abraço…Cachacinha. Carona. Conhecidos, amigos, mais do que isso. Téo. Casa. Avô. Mãe. Tião. Terça. Avô. Mãe. Tião. Malas. Tias. Despedidas. Aeroporto. Família. Amigos. Abraços, abraços, abraços. Avião. Brasília. Avião. São Paulo. Abraço.

Não há lugar como o lar…mas e quando existe mais de um lar?

Foi bom: ouvir o meu avô, ver a minha mãe, alguns dos velhos amigos, alguns dos novos, algumas boas iniciativas, a família reunida em volta da mesa, um amigo querido cancelando um jantar porque estava com o filho no colo e o céu laranja mais bonito até aqui.

Faltou: comer aquele bolo de chocolate , ver o Boemia, alguns dos velhos amigos, alguns dos novos, aquelas telas, aquele podcast, alguns encontros, alguns abraços, algumas conversas, uma parte da família em volta da mesa e uma tarde inteira comendo caranguejo.

Momento nostalgia: numa época de Boa Noite Teresina e de vizinhos tentando fechar o Boemia, impossível não sentir falta dos tempos em que havia na cidade uma certa “fartura”, não só de boas bandas como de lugares pra elas se apresentarem. Bons tempos de Tequila, Palmares, Melodia, Noé Mendes, Boca da Noite, Boemia I e II e alguns outros lugares, bares, festas e festivais, que serviam de palco pra bandas novas e velhas, covers ou com músicas próprias, de amigos ou conhecidos, quase sempre amigas entre si e que deixaram lembranças de todas as espécies. É provável que essa sensação seja apenas um dos cutucões que o tempo dá na gente, pra avisar que está passando, e que vista sob a lente de aumento da distância física a dita se torne ainda mais melancólica. Mas o fato é que, embalada por essa sensação, resgatei das coisas que ficaram o meu disco do Amigos do Vigia [uma das principais bandas desses bons tempos], e trouxe na mala junto com a constatação recorrente de que essa falta de tempos que não voltam mais é uma das três piores coisas que existem pra se sentir. Ai de mim que sou saudosista.

1. trazer você aqui: amigos do vigia
2. rotina: amigos do vigia
3. mil formas: amigos do vigia
4. por onde andei: amigos do vigia
5. sobre a noite: amigos do vigia
6. corvo: amigos do vigia

Written by juliana alves

maio 21, 2007 at 12:57 am

the.

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Existirmos: a que será que se destina?/ Pois quando tu me deste a rosa pequenina/ Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina/ Do menino infeliz não se nos ilumina/ Tampouco turva-se a lágrima nordestina/ Apenas a matéria vida era tão fina/ E éramos olharmo-nos intacta retina/ A cajuína cristalina em Teresina. [Cateano Veloso]

[com licença, vou visitar a minha mãe]

Written by juliana alves

maio 11, 2007 at 12:33 am

Publicado em música, trechos

simples.

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Qual foi a melhor coisa que te aconteceu nos últimos dias?

Written by juliana alves

maio 8, 2007 at 10:14 pm