azar o seu, querida.*

[por uma vida menos ordinária]

Archive for abril 2007

top cinco questões curtas sem muita importância.

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1. Só eu estou apaixonada pelo clip novo do Travis?2. Só eu acho que o novo jeito de cantar da Joss Stone se parece muito com…o jeito de cantar da Christina Aguilera?3. Só eu tenho vontade de dançar de rosto colado toda vez que ouço Don’t Worry Baby?4. Só eu acho que o ano está passando muito rápido? 5. Você vem sempre aqui?

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Written by juliana alves

abril 25, 2007 at 10:47 pm

when you heart is an empty room.

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[para aline neves ]

“Adormeci de bruços, atravessada na cama, bem embaixo da janela, esperando você me acordar com beijo no ombro quando acabasse o programa do Jô. Adormeci lembrando de como brigávamos nos primórdios, os três, a ponto de assustar e escandalizar as professoras na alfabetização. De como eu gostava de te observar jogando futebol no recreio e de como era muito melhor brincar de alguma coisa violenta com você do que me fingir de comadre das outras meninas do quarteirão. Do primeiro beijo atrás do muro e de como me desarmava e me dava frio na barriga a sua timidez de mãos nos bolsos e boné. E de quando você escrevia músicas do Elvis pra mim na lousa, antes da aula de geografia, sem que ninguém mais além de mim soubesse o que elas queriam dizer; eu mesma não sabia muito bem naquela época e espero, de verdade, que você me perdoe por isso. Não foi por mal. Adormeci lembrando da sua gentileza e daquela semana inesquecível, mesmo depois do tudo, com letras maiúsculas, que veio depois. Aquele foi o real começo. E lembrando de como eu quase quis aprender a dançar por sua causa, e da vergonha que passei falando manso e gaguejando com o seu pai achando que era com você. De quando te deixei aparecer em público manchado de batom vermelho, atrapalhada demais com o fato de ter te manchado de batom vermelho; e de quando você disse que me amava e eu não acreditei, ainda que quisesse acreditar, e de como eu preferia o seu cabelo por cortar e a sua barba por fazer. Eu quase sempre preferi assim. Lembrando dos olhares pelos corredores, de todas as caronas que você me deu, de como você me fez amar e odiar os shows do Kid Abelha, na mesma proporção. De como você me pegava no colo, e me girava no ar, e me assustou com tanta certeza. E de como a gente brigava e discutia e discordava, sério, de birra, de provocação, até sermos pegos gritando segredos num bar e um de nós finalmente beijar uma moça numa boate; e de que tudo começou com um bilhete e eu guardei a sua música por um século, mesmo sabendo que ela não foi escrita pra mim. Lembrando, ainda, do dia que você me tirou pra dançar. Não é difícil lembrar, poucos homens na vida me tiraram pra dançar. E da camiseta que você e seus amigos usaram pra sempre, do baile de formatura, da casinha de playground, das tardes de domingo e de todos os reencontros depois disso. Dos telefonemas na madrugada, do apelido “carinhoso” que meu pai te deu, de quando eu finalmente pus os pés num show como aquele, única e exclusivamente pra você partir meu coração e colar depois, várias vezes, com a cola mais vagabunda do nosso mundo tão complicado. Do nosso banho de chuva, do nosso beijo perfeito, do meu vestido vermelho, e de todas as coisas que eu descobri depois, uns anos antes de você aparecer pra pedir desculpas um dia de manhã. Lembrando. Das quatro horas de conversa no estacionamento, da estrela que morava perto da lua, de voltar pra casa deitada no seu colo, de comer paçoca e pudim de leite todo domingo e da canção, essa sim, que você fez pra mim. E depois de não entender. De quase morrer pela segunda vez [primeira depois da meia hora no banheiro cor de rosa] em muito tempo. Mas aí depois de muitos anos mudarem quase tudo veio o telhado, o supermercado, a rede, o sofá, as pistas coloridas, a noite sob as estrelas, o melhor abraço, a música sete mais linda do mundo. E depois as dores de estômago, os silêncios estranhos, e eu quase morri pela terceira vez. E foi por muito tempo. Adormeci lembrando. De ser pega cantando Radiohead baixinho, de não saber o que fazer, de ter me atrasado muito e de como ser a mulher da sua vida foi o melhor momento. Não importa o que veio depois. E aí, você foi Che Guevara, punk, poeta e lembrança, até eu aproveitar uma fotografia pra te contar que eu também gostava de leite moça, de Jorge Ben Jor, de amanditas e das palavras mágicas, antes de tudo acabar em cartas secretas de quase amor. E aí saimos pra passear de mãos dadas, e fizemos ventar na cidade. Adormeci lembrando que um dia toquei a sua campainha sem mais nem porquê e que fui feliz como talvez você nem desconfie, antes de quase morrer pela quarta vez. Adormeci de bruços, atravessada na cama, bem embaixo da janela, e tive um sonho bom. Acordei com o barulho de um desastre. Mas, não faz muito tempo, dancei no meio da rua quando a banda passou.”

Aline Neves é redatora, nunca tomou café, não tem as orelhas furadas, tem duas cadelas, quatro jabotis, uma gata com quatro filhotes, uma carteira de motorista que usa pouco, nunca viu um show do Alceu Valença e muito em breve será, oficialmente, a digníssima esposa do meu sortudo amigo André Melo. Ela acredita no amor e jura de pé junto que na casa dela as frigideiras têm tampa.

Written by juliana alves

abril 25, 2007 at 10:00 pm

Publicado em trechos

das coisas sem porquê.

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Você vem ou não vem? Ficar por perto. Minha casa. Nossa casa. Falo bem quando tem. Ou fico quieto. Minha cara. Sua cara. Depois. Todo plano acaba assim. Nós dois. Nos machucando até o fim. Outra vez no chão. No chão de joelhos. Antes era bom. Era bom. Estar contigo. Depois: Druques.

druques

Written by juliana alves

abril 23, 2007 at 4:51 pm

Publicado em música

e num momento, assim, you tube…

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Um clip fofo da Feist, só pra desejar boa semana.

 
[Impossível não acreditar que vai dar certo com essa trilha hein?]

E uma espécie de trailer do Duro de Matar 4, com uma musiquinha muito da safada fazendo um resumão das 4 películas. A banda é Guyz Nite.


[Porque talvez ninguém desconfie que eu gosto de filme policial com caras brutos, fazendo o tipo MacGyver. Mas eu gosto. E nessa categoria John McClane é melhor até que Riggs & Murtaugh]

Written by juliana alves

abril 23, 2007 at 4:46 pm

Publicado em cinema, música

e dos motivos pelos quais eu amo miranda july…

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Sim, eu quero de presente.
Sim, vai me fazer muito, muito feliz.

capa

http://noonebelongsheremorethanyou.com
http://mirandajuly.com/

Written by juliana alves

abril 19, 2007 at 4:13 pm

trôpico de câncer

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“Bem, apanharei estas páginas e mudar-me-ei. Acontecerão coisas em outros lugares. Sempre estão acontecendo coisas. Parece que onde quer que eu vá existe drama. As pessoas são como chatos – penetram na pele da gente e enterram-se lá. A gente coça e coça até sair sangue, mas não pode livrar-se permanentemente dos chatos. Em toda parte aonde vou, as pessoas estão fazendo uma trapalhada em suas vidas. Todos têm sua tragédia particular. Está no sangue agora – infortúnio, tédio, aflição, suicídio. A atmosfera está saturada de desastre, frustração, futilidade. Coça-se e coça-se – até não restar mais pele. Todavia, o efeito sobre mim é estimulante. Em vez de ficar desencorajado ou deprimido, divirto-me. Estou clamando por mais e mais desastres, maiores calamidades, malogros piores. Quero que todo mundo se desmantele, quero que todos se cocem até morrer.”
[…]
“Durante sete anos andei, dia e noite, só com uma coisa na mente: ela. Se houvesse um cristão tão fiel ao seu Deus quanto eu a ela, nós todos hoje seríamos Jesus Cristo. Dia e noite pensava nela, mesmo quando a estava enganando. E agora, às vezes, bem no meio das coisas, sinto que estou absolutamente livre disso tudo, de repente, ao virar uma esquina talvez, surge uma pequena praça, algumas árvores e um banco, um lugar onde ficamos em pé e discutimos, onde nos deixamos mutuamente loucos com ferozes cenas de ciúmes. Sempre algum lugar deserto, como a place de l’Estrapade, por exemplo, ou aquelas ruas sujas e lúgubres perto da Mesquita ou ao longo daquele túmulo aberto que é a Avenue de Breteuil, a qual às dez horas da manhã é tão silenciosa, tão morta, que faz a gente pensar em homicídio e suicídio, qualquer coisa que possa criar um vestígio de drama humano. Quando percebo que ela partiu, talvez para sempre, um grande vazio se abre e sinto que estou caindo, caindo, caindo no espaço profundo e negro. E isto é pior do que lágrimas, mais profundo que o pesar, a dor ou a tristeza; é o abismo em que lançaram Satã. Não há meio de subir de volta, não há raio de luz, nem som de voz humana ou toque de mão humana.”
[…]
“Lado a lado com a espécie humana corre outra raça de seres, os inumanos, a raça de artistas que, incitados por desconhecidos impulsos, tomam a massa sem vida de humanidade e, pela febre e pelo fermento com que a impregnam, transformam a massa úmida em pão, e o pão em vinho, e o vinho em canção. Do composto morto e da escória inerte criam uma canção que contagia. Vejo esta outra raça de indivíduos esquadrinhando o universo, virando tudo de cabeça pra baixo, os pés sempre se movendo em sangue e lágrimas, as mãos sempre vazias, sempre se estendendo na tentativa de agarrar o além, o deus inatingível: matando tudo ao seu alcance a fim de acalmar o monstro que lhe rói as entranhas. Vejo que quando eles arrancam os próprios cabelos no esforço de compreender, de capturar esse eterno inalcançável, que quando eles berram como bestas enlouquecidas rasgam com as presas e ferem com os chifres, isto está certo, que não há outro caminho a seguir. Um homem que pertence a essa raça precisa ficar em pé no lugar alto, com palavras desconexas na boca, e arrancar as próprias entranhas. É certo, e justo, porque ele precisa! E tudo quanto fique aquém desse aterrorizador espetáculo, tudo quanto seja menos sobressaltante, menos terrificante, menos louco, menos delirante, menos contagiante, não é arte. Esse resto é falsificação. Esse resto é humano. Pertence à vida e à ausência de vida.”

Henry Miller, 1934

Written by juliana alves

abril 19, 2007 at 1:57 pm

sala 8.

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les amants réguliers

O filme é longo, a primeira meia hora é totalmente “contemplativa”, não se trata de uma obra prima, certamente será tachado por muitos de chato e não será um filme muito popular [na verdade já não é]. Mas eu resisti bravamente à tal primeira meia hora e me considero bem recompensada. Ademais, senhoras e senhores, o que é esta fotografia? Alguém me explica? E o que é Louis Garrel? Alguém me dá de presente?

cartaz

 

surplus: terrorized into being consumers

Não pretendo “cuspir assuntosamente na cara do sistema”, renegar para sempre o Mc Donalds [ainda mais agora que eles tiraram a gordura trans da batata, lá lá lá] ou incentivar qualquer tipo de extremismo. Assim como acho que o documentário, de co-produção sueca/argentina, também não pretende. Acredito que cada um pode ter a sua opinião sobre o que quer que seja, respeitando a opinião do outro. Mas se tudo tem dois lados, ou mais, também acredito que ver os outros lados das coisas pode ser enriquecedor, à medida que nos planta perguntas na cabeça [não dizem por aí que é a pergunta que motiva?]. Por isso recomendo o filme [que o meu querido-amigo-e-baterista-do-Conjunto –Roque-Moreira, Otto, gentilmente me trouxe de presente ontem à tarde] aos que se interessam pelo assunto. Não para que concordem ou discordem imediatamente, afinal não se trata de verdades absolutas [se é que existem verdades absolutas], mas antes para que simplesmente pensem a respeito enquanto observam como a trilha sonora é adequada e bem colocada. That’s all.

cartaz

Written by juliana alves

abril 19, 2007 at 1:53 pm