azar o seu, querida.*

[por uma vida menos ordinária]

Archive for Outubro 14th, 2007

fur: an imaginary portrait of diane arbus.

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Dois dias pensando na versão [?] de Steven Shainberg para aquilo que seria o momento de transição, o início da carreira da fotógrafa americana Diane Arbus, e não consigo pensar em outra palavra pra descrever o filme além de “esquisito”, para em seguida me perguntar “dá pra fazer um filme sobre Diane Arbus, que não seja esquisito?”. Talvez não…mas acho que dava pra fazer um filme melhor.

diane e uma de suas fotos.

Diane Nemerox nasceu em 1923, em Nova York, no meio de uma família da alta burguesia. Aos 18 anos se casa com o fotógrafo Allan Arbus, com quem aprendeu as primeiras noções básicas de fotografia. Juntos se especializaram em fotografia de moda e fizeram vários trabalhos para a revista Harper’s Bazaar. Na década de 50, Diane e Allan se separam, e sob a orientação da também fotógrafa Lisette Model, Diane inicia um trabalho mais pessoal e mais documental. É aí que ela começa a fazer retratos, voltando os olhos para os “freaks” da América de então: anões, gigantes, retardados, gêmeos, travestis e toda a sorte de pessoas à margem da sociedade, que fugiam do padrão de sonho-americano da época. Seu trabalho foi imediatamente reconhecido: Diane ganhou duas vezes a bolsa Guggenheim, e em 1967 expôs suas fotos duras, marcantes e perturbadoras no MoMa, que já então era um dos museus mais prestigiados de Nova York. No fim dos anos sessenta Diane começa a visitar asilos e hospitais e faz de velhos, doentes e anormais seus modelos. Em 1971 comete o suicídio, cortando os pulsos e se entupindo de barbitúricos.

diane arbus.

Sabendo disso, eu esperava outro tipo [?] de filme. Talvez eu devesse ter levado mais a sério o aviso inicial de que se tratava de uma cinebiografia imaginária, e não uma cinebiografia convencional, fatos reais e tudo o mais, como o próprio subtítulo do filme já sugere. Steven Shainberg, de quem eu nunca tinha ouvido falar até então, se baseia na biografia escrita por Patricia Bosworth, lançada em 1984, e junto com o roteirista cria uma história que mistura realidade e ficção, A Bela e A Fera e Alice No País das Maravilhas, pra mostrar o momento em que a dona de casa americana exemplar, mãe e assistente do marido fotógrafo começa a se transformar numa artista.

nicole kidman como diane arbus.

Em mim deixou uma sensação ambígua. Apesar de ter bons momentos de Nicole Kidman, algumas boas referências, algumas cenas bem bonitas, uma trilha sonora encaixada e algumas sutilezas bem interessantes [como mostrar bem a curiosidade do olhar de Diane], na maior parte do tempo o filme é lento demais, fantasioso demais, distante demais; e não foram raros os momentos em que eu me perguntei o que David Lynch, por exemplo, pra citar um diretor que costuma conduzir muito bem o incomum [?], teria feito com a história dessa fotógrafa, dessa mulher, que eu imagino muito mais atormentada [o filme basicamente ignora o suicídio de Diane], muito mais complexa e muito mais apaixonada do que parece em Fur.
Enfim. Todo mundo sabe que cinebiografias são dificéis.
Retratos imaginários então…


“A photograph is a secret about a secret. The more it tells you the less you know” [Diane Arbus]

Escrito por juliana

Outubro 14, 2007 em 9:59 pm

Publicado em cinema