Archive for Maio 30th, 2007
sala 8.
28 weeks later.
A primeira vez que ouvi falar a respeito de 28 Days Later foi no cinema. Um trailer, antes de um filme que eu não me lembro mais qual, me deixou de olhos esbugalhados, coração na boca, contando os dias, como era comum, na esperança de que, por ser um filme de terror, estreasse numa das poucas salas de Teresina. Estreou. E o detalhe que mais me impressionou na primeira das algumas vezes que vi o dito, mais até que as tomadas de Londres completamente vazia, mais até que a trilha sonora [que sozinha já me causa arrepios], e mais até que a bela feiúra de Cillian Murphy, foi a questão dos macacos, do vírus que eles carregavam e da relação direta entre esse vírus e as cenas de violência que eles eram obrigados a ver, na cena inicial do filme. Naquele dia estava declarado o meu preferido de Danny Boyle, e ouvi AM 180 por um mês inteiro, sem parar.
Quando Luciana me contou sobre a seqüência, 28 Weeks Later, eu não fiquei muito feliz. Tenho traumas profundos com seqüências desnecessárias de filmes que eu adoro. E não estou falando de projetos como a trilogia do Senhor dos Anéis e a saga de Harry Potter, ou Star Wars e De Volta Para o Futuro, que foram concebidos para se desenrolarem em seqüências, mas de coisas como Hannibal, por exemplo. De modo que só fiquei mais tranqüila quando descobri que se Danny Boyle não era mais o diretor, era agora o produtor, e que John Murphy continuava responsável pela música, peça de fundamental importância na minha preferência por 28 Days Later. E, depois de ver o trailer, me pus novamente a contar os dias; desta vez para a cabine que o Bloghunters ofereceria para alguns, na sede da Fox em São Paulo.
Assim como no primeiro filme, em 28 Weeks Later a música é fundamental e, junto com a fotografia, tão perfeita quanto, dá o tom e marca o clima da história. As cenas de devastação e abandono continuam ótimas, me remetendo em alguns momentos para o cenário que eu imagino para algumas passagens de Ensaio Sobre A Cegueira. O roteiro é bom, embora tenha suas falhas [meus companheiros de sessão reclamaram especialmente que, depois da eletrizante primeira cena, o filme vai perdendo a força no seu desenrolar] e os atores, se não brilham, dão conta do recado e não comprometem o resultado, afinal de contas é apenas um filme de zumbi…Entretanto, eu, que sou dramática, apaixonada, teatral e impressionável, defendo que dessa vez a seqüência é uma feladaputice [de boca bem cheia] tão grande quanto o original, e vou além; 28 Weeks Later, na minha opinião, pode ser considerado um filme extremamente emblemático. Porque se da primeira vez Danny Boyle deu apenas a deixa, usando a primeira cena, os macacos e a violência, somente pra explicar o começo de tudo e mantendo o foco depois na questão da “sobrevivência”, e do que o ser humano é capaz de fazer por ela [fazendo um link muito sutil com o “dilema” da primeira cena do segundo filme], desta vez o recado me parece bem claro: a violência está aí, cuspindo “sangue” na nossa cara, todos os dias. Um vírus poderoso e voraz, que nasce da raiva “animalesca” inerente a todo ser humano [just another monkeys?], que se espalha muito facilmente, destrói tudo [pessoas, famílias, dignidade, cidades] e não respeita nada [fronteiras inclusas]. Aqui os heróis que chegam para salvar [coincidentemente americanos?] também não sabem muito bem o que fazer, em quem atirar, perdem o rumo, o controle, e fica difícil até mesmo decidir se um agente transmissor que pode carregar também a cura representa a luz no fim do túnel, a certeza triste de que não há esperança ou apenas a deixa para, quem sabe, um dia, uma trilogia.
Sexta-feira, [teoricamente] em todos os cinemas.
