azar o seu, querida.*

[por uma vida menos ordinária]

Archive for Abril 4th, 2007

sala 8.

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os amantes do círculo polar.

A primeira vez que ouvi falar no filme de Julio Medem foi numa edição da revista TPM, no tempo em que a dita era uma boa promessa de vida nova no mundo das revistas “femininas”, com algumas das melhores capas ever, um ótimo design gráfico, e alguns dos ensaios mais bonitos e das entrevistas mais ricas que já se viu por aí [onde foi parar tudo isso?]. Havia uma seção onde pessoas, quase sempre famosas e quase sempre interessantes, davam suas dicas de livros, filmes e discos, e aí alguém falou sobre Lúcia e o Sexo, o “novo” do diretor, e pra falar de Lúcia e o Sexo citou, antes, Os Amantes do Círculo Polar, fazendo um comentário sobre a linearidade [ou falta de] nas duas películas.
A primeira vez que vi Lúcia e o Sexo foi numa tarde que se configurou um holy moment no momento em que parei para catalogar pela primeira vez os holy moments da minha vida. Eu acho que era carnaval. E quando penso naquela tarde ainda dou um risinho de lado lembrando do controle que não funcionava no momento crucial para as nossas vergonhas. Penso no que o futuro prometia, em tudo que poderia [?] ter sido. Em tudo que foi. Penso em AM 180, chandelle caseiro, pirulitos e no dia em que fui flagrada cantando Radiohead baixinho no trabalho. Lúcia e o Sexo está, até hoje, na minha lista de mais bonitos, em vários sentidos. Talvez por isso, e pela ligação entre os dois filmes, procurei por Os Amantes do Círculo Polar incansavelmente, em todas as locadoras possíveis desde o dia em que li a tal revista. Não obstante a minha fracassada busca, hoje em dia não há nada, ou quase nada, que o Emule, uma boa conexão e um pouco de paciência não possam fazer por mim.
Mas mais do que falar sobre como o filme é lindo [tanto quanto Lúcia e o Sexo, e em vários sentidos], sobre como a direção de Julio Medem é primorosa ou sobre como as atuações são homogêneas, e mais do que dizer que algumas das cenas são, de fato, as mais bonitas que eu vi nos últimos tempos e que a trilha sonora é uma das mais bem encaixadas na mesma condição, o que eu quero mesmo é dizer pras pessoas que estiveram comigo naquela tarde, duas em especial, que fosse a vida [ou fossemos nós] assado e não assim, esse filme era pra ser visto numa tarde como aquela [era carnaval?]. Mas as coisas são como são. Começam e terminam ["você conhece alguma coisa que dura para sempre?"]. E o tempo muda tudo. Enfim.
Eu sinto saudades.

os amantes do còculo polar

Escrito por juliana

Abril 4, 2007 em 3:31 pm

Publicado em cinema